segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Mulheres...

Para Leonardo Davino

                Já fui como Martinho e tive muitas mulheres, de todas as cores, de várias idades, do tipo acanhada, do tipo feliz... enfim, mulheres como todas as que andam por aí. Algumas não passaram de um copo, outras duraram uma garrafa, poucas, enfim, ficaram para sempre.
                Ainda adolescente conheci Clara, que me tirou da vida errada que eu começava a desenhar para mim, influência de “pseudoamigos” que naquela época só queriam se divertir e aproveitar o momento sem pensar nas consequências que aquilo poderia trazer para as nossas vidas no futuro. Clara era uma mulher de presença, morena de cabelos esvoaçantes e renda branca por quem me apaixonei à primeira vez que lhe vi. Ouvi-la fez-me ter certeza da existência de Deus. Clara era telúrica. Ainda hoje, vinte anos depois da nossa primeira vez continuo amando-a. Ela é para sempre, as outras são para momentos.
                Angela, tive duas: uma era companhia de noites escuras e whisky; a outra, de tangos e baladas. Tive Alaide, Beth e Clementina. Selma, Teresa e Vanessa. Tive espanholas, argentinas e americanas. Canadenses, colombianas e italianas. Dulce era portuguesa, Edith, francesa, ambas com tendência ao amor exagerado e à tragédia. Surgiram em minha vida nos momentos mais difíceis. As minhas nuvens negras se somaram às delas e tempestades invadiram e lavaram as nossas almas. Laura sempre foi romântica e Mercedes, guerreira.
                Rita, também foram duas: uma louca e a outra macumbeira. Sempre fui muito eclético. Nunca me foquei em apenas um nome ou estilo. Marias, por exemplo, nem sei quantas foram e cada uma com seu jeito especial, me tocando de formas diferentes: docemente, fragilmente, libidinosamente. Fabiana era chegada ao pagode, não dispensava arrasta-pé. Mulata faceira. Joanna conheci nos arcos da Lapa e Mariene no Elevador Lacerda.
Enfim, mulheres da minha vida, que fizeram, fazem ou ainda farão parte dela, porque sou visionário e penso no futuro. Mas o mercado está ficando escasso, preciso fazer novas conquistas. Mas isso, amanhã. Para hoje, a agenda já está fechada: café com Simone, almoço com Dolores, jantar com Elza e cama com Lorenna.

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